E logo o Espírito o impeliu para o deserto

ENUR 2017 – Pregação Mococa e Adoração
7 de novembro de 2017
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Lançamento do site do 1º Congresso Brasileiro de Humanismo Solidário na Ciência
18 de maio de 2018
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deserto“E logo o Espírito o impeliu para o deserto”

Mc 1,12

 

É necessário falar da Quaresma, e sua importância e significado, em especial neste tempo inebriado pelo individualismo e pela cultura do descartável em que se a fé tornou-se para muitos uma realidade descartável, customizada, incapaz de levar os corações a uma conversão e ao verdadeiro arrependimento.

Lembro-me de meus tempos de infância em que o tempo da Quaresma era mergulhado em uma atmosfera, por vezes sombria e supersticiosa. Não se podia fazer nada sob a ameaça de inúmeros castigos impostos por Deus e, nem mesmo corrigir os filhos com algumas palmadas era permitido. Embora não fosse uma experiência ideal de Quaresma, ali havia o temor, o respeito, a percepção do sagrado e claro que, ali, naquela visão distorcida da realidade quaresmal, muitos de nós fizemos uma bonita experiência, e eu sou fruto desse tempo. Minha maturidade cristã e vocação são frutos dessa vivência.

Porém, o que se vê hoje a respeito da Quaresma como tempo, de jejum, oração e caridade, perdeu-se muito no individualismo e na interpretação subjetivista das penitências e abstinências tão necessárias para nos conduzir à experiência pascal.

Não podemos permitir que nossas penitências sejam apenas escadas para sustentar nossa vaidade, ao definirmos nossos “sacrifícios”, na maioria das vezes, sem propósito algum de mudança. O refrigerante, a bebida alcoólica, a carne vermelha e até mesmo o chocolate que se deixa de consumir, no domingo da Páscoa são retomados e de forma exagerada. Aquele que não consumiu bebida alcoólica se embriaga como se quisesse expressar a saudade que sentiu de suas bebedeiras. O mesmo se aplica aos produtos supracitados e a tantos outros.

Mas a onde fica a experiência do deserto? De ser conduzido pelo Espírito Santo, através da penitência e da oração? Do reconhecimento de suas fragilidades e da urgente necessidade de conversão? É isso que a Quaresma vem nos ensinar e conduzir: Adentrar nossos desertos para conhecermos o que há em nosso coração e unirmo-nos a Nosso Senhor em suas dores e propósitos.

Não podemos permitir que um tempo tão intenso passe por nós como se não existisse, ignorando a sua força. Não nos comprometemos a fazer penitência para demonstrarmos o quanto somos capazes dos mais árduos sacrifícios, mas sim para que reconhecendo nossos pecados, nos arrependamo, mudemos a nossa rota, amemos mais e melhor a Nosso Senhor e assim celebremos com a autêntica atitude de quem foi alcançado por Deus, sem mérito algum e por isso se dispõe com o coração repleto de gratidão, generosamente confiar-se a Ele!

Não fuja do deserto, não se afaste de suas verdades, não deixe que as intempéries ou tribulações te impeçam de buscar a Deus incessantemente através da penitência, oração e caridade.

Eis o tempo favorável!

É preciso crer, acolher e submeter-se a tão grande graça que é a de saber que o Senhor não nos trata como exigem nossas faltas. Corramos ao seu encontro, dobremos os nossos joelhos e nossas vontades ante o Deus que nos criou.

Que a santa vivência da Quaresma nos leve solenemente a exaltar e glorificar o Senhor, seja com os ramos nas mãos ou na grande celebração da vitória da vida sobre a morte dizendo: “Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos”.

Com carinho e orações,

 

Pe. Edinei Reis

Arquidiocese de Palmas