O GPP como lugar do Sonho – Por Everthon de Souza

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Seguindo com nossas postagens semanais, tivemos a graça de receber um texto da Comissão dos Formados. O texto escrito por Everthon de Souza, responsável pela comissão, fala sobre a importância de profissionais renovadas para a transformação da sociedade. Esse é um conteúdo que pode abrir nossa visão sobre a vida profissional e o Sonho, confira.

 

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 O sonho de renovar as universidades sempre foi para nós uma proposta fascinante e desafiadora. Constitui-se em um grande desafio por esse ser um lugar cada vez mais hostil e fechado à nossa fé.  Mas é, ao mesmo tempo, motivador pensarmos nesses lugares repletos da doutrina de Jesus. “Não simplesmente porque a Universidade é um local sedento de fé, de esperança, de Deus. Mas porque é ali que estão os futuros profissionais, aqueles que, de um modo ou de outro, constroem a sociedade brasileira.”[1]

Essa possibilidade de transformação social por meio de profissionais renovados pelo Espírito jamais pode ser deixada em segundo plano no nosso ministério. “Pensar a profissão na sua dimensão social de forma a promover melhoria de vida, resgate da dignidade humana e mais igualdade social é uma marca dos que abraçaram o sonho do Universidades Renovadas.”[1]

unnamed1A Igreja tem acentuado, nos últimos tempos, o caráter social de nossa missão, como sendo um dever inexorável do cristão a caridade ao próximo, sobretudo ao irmão (Gl 6,10 ). Bento XVI nos diz que “a natureza íntima da Igreja se exprime num tríplice dever: anúncio da Palavra de Deus (kerygma-martyria), celebração dos Sacramentos (leiturgia), serviço da caridade (diakonia). São deveres que se reclamam mutuamente, não podendo um ser separado dos outros.” [3]. No mesmo sentido, o Papa Francisco afirma que “O querigma possui um conteúdo inevitavelmente social: no próprio coração do Evangelho, aparece a vida comunitária e o compromisso com os outros. O conteúdo do primeiro anúncio tem uma repercussão moral imediata, cujo centro é a caridade.” [4]

No livro de Atos, os Apóstolos escolheram cuidadosamente alguns discípulos para se dedicarem à assistência aos órfãos e às viúvas. Para isso, essas pessoas não poderiam realizar um trabalho puramente prático, pois deveriam ser homens “cheios do Espírito Santo e de sabedoria” (At 6,1-6). Essas duas características, listadas pelo autor como condição para o serviço social da comunidade cristã, encontra forte semelhança com nossa identidade: carismática e acadêmica. A partir do batismo no Espírito Santo, somos impulsionados a transformar realidades por meio de nossa sabedoria, nossa formação.

A evangelização de um local tão privilegiado traz possibilidades reais de transformação social e um cumprimento profícuo do que a Igreja nos pede: o serviço da caridade. O profissional renovado, mais que um fruto, é parte integral desse Sonho e sintetiza seu potencial transformador. Uma vez formado, passa a assumir as consequências sociais do pentecostes e a construção efetiva da civilização do amor.

Os nossos GPP’s devem ser, portanto, espaço privilegiado no qual possamos assimilar a grandeza desse chamado. O pentecostes pessoal ali vivido nos coloca no batalhão de frente de nossa missão, renova em nós desejo de sonhar realidades novas e nos impulsiona a construí-las.

[1] – Santos, Ivna Sá. Dai-lhes vós mesmos de comer: um livro histórico e testemunhal das Universidades Renovadas. Belo Horizonte, 2012, 2ªed,  p. 73.

[2] – Ibid., p. 74.

[3] – Papa Bento XVI, Carta Encíclica Deus Caritas Est (25 de dezembro de 2005) n. 25.

[4] – Papa Francisco, Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (24 de novembro de 2013), n. 177.